Pular para o conteúdo

Sobre este material

Eu, Felipi, criei este projeto pensando em alguém especial. Nasceu da necessidade de construir um ambiente funcional para essa pessoa, num mundo desenhado para neurotípicos, que raramente perdoa quem funciona de um jeito diferente.

O Scaffold começou como um projeto pessoal: montar um sistema de rotina para uma pessoa real com TDAH, em conjunto com quem a apoia no dia a dia. O conteúdo foi generalizado a partir desse caso. Nenhum nome, local ou detalhe que identifique a pessoa original permanece no manual.

Isso importa por dois motivos. Primeiro, porque cada recomendação aqui foi pensada para funcionar na prática, não só em teoria.

O sistema de fichário e folha diária, por exemplo, passou por três revisões antes de chegar ao formato atual, porque as duas primeiras tentativas eram densas demais e caíram em desuso em poucas semanas.

Segundo, porque isso também é uma limitação: um caso real generaliza bem para muita coisa, mas não para tudo. TDAH se manifesta de formas diferentes em pessoas diferentes, e este manual não tem como cobrir todas.

O texto deste manual foi redigido com o auxílio de um modelo de linguagem (Claude, da Anthropic), a partir de pesquisa dirigida em fontes citadas em cada capítulo. Isso não é um detalhe escondido.

Cada capítulo, cada template e cada recomendação prática passou por revisão humana antes de ir ao ar. A redação em si, a estrutura de muitas páginas e boa parte do levantamento inicial de referência tiveram IA no processo.

Duas coisas seguem sendo trabalho humano, sem atalho: a decisão do que entra e do que fica de fora do manual, e a validação de que cada recomendação faz sentido na prática, não só no papel.

Se algum trecho parecer impreciso ou raso, isso é falha de revisão, não de intenção. É exatamente o tipo de coisa que a página de Contato existe para receber.

Cada capítulo passa pelo mesmo processo: levantamento de literatura (livros de referência clínica, artigos revisados por pares quando existem, material de organizações reconhecidas como CHADD e ADDA), checagem cruzada entre fontes antes de qualquer recomendação prática entrar no texto.

E uma seção “Fontes” no fim de cada página, para que qualquer afirmação possa ser verificada por quem lê.

Quando um conceito é popular mas não tem status clínico formal (Disforia Sensível à Rejeição e cegueira temporal são os dois exemplos mais citados no manual), isso é dito explicitamente no texto, em vez de apresentado como se fosse diagnóstico oficial.

A precisão importa mais do que a autoridade que a imprecisão daria ao texto.

Não é diagnóstico. Não é tratamento. Não substitui psiquiatra, neurologista, terapeuta ou qualquer profissional de saúde.

É um sistema comportamental e de organização de ambiente, pensado para funcionar ao lado de acompanhamento profissional, nunca no lugar dele. O capítulo Quando Buscar Ajuda Profissional detalha quando essa fronteira precisa ser cruzada.

Também não é a versão final de nada. Sistemas de rotina para TDAH pedem ajuste contínuo. O que funciona muda com o tempo, com a fase da vida, com o contexto.

Este manual é o ponto de partida, documentado com cuidado o bastante para que dê para confiar nele, mas revisado sempre que a prática mostrar que algo precisa mudar. O Changelog registra essas revisões.

Duas pessoas leem este manual ao mesmo tempo: quem tem TDAH, e quem apoia. Sempre que os dois pontos de vista pedem orientação diferente, isso aparece separado no texto, em vez de misturado numa única voz genérica.

O Scaffold, no momento, é só o manual. As ferramentas interativas (folha diária online, cartão de crise navegável, lista de compras que se renova sozinha) estão em prototipagem separada. O Roadmap documenta esse processo.