Cartão SOS
Não leia tudo agora. Ache o cartão que bate com o que você está sentindo, leia só aquele, e siga os passos. Um exemplo visual de como os cartões podem ficar impressos está no mockup em HTML.
Onde guardar. Primeira divisória do fichário, ou uma gaveta de acesso rápido: perto o bastante para achar sem procurar, longe da vista para não virar lembrete constante do diagnóstico. Formato sugerido: um cartão por cenário, tamanho cartão de visita (9 × 5 cm) para levar na carteira, além da versão A5 para deixar no fichário.
Não consigo nem começar
Seção intitulada “Não consigo nem começar”Sinal: olhar para uma tarefa específica e travar, mesmo sabendo o que fazer.
- Nomeie: “isso é Wall of Awful, não é falta de capacidade.”
- Escolha uma saída, escalar ou abrir uma porta:
- Escalar: sente com o desconforto por 2 minutos. Nomeie o que sente.
- Abrir uma porta: troque o estado emocional primeiro. Caminhada de 5 minutos, música, algo engraçado.
- Se ainda travado, reduza a tarefa até o primeiro passo ser ridículo. Não “escrever o e-mail”, só “abrir a caixa de entrada”.
Não diga “é só fazer”. Ofereça o primeiro passo pequeno em vez do conselho: “quer que eu já abra o arquivo pra você começar?” Reduza o atrito, não resolva a tarefa no lugar dela.
Fui rejeitada ou criticada e dói demais
Seção intitulada “Fui rejeitada ou criticada e dói demais”Sinal: uma crítica ou rejeição, real ou percebida, dói muito mais do que parece proporcional.
- Nomeie: “isso é RSD, não é a prova de que sou incapaz.”
- Aterre o corpo por 60 segundos: pés no chão, 5 coisas que vê, 4 que ouve, respiração lenta.
- Adie a resposta. Combine consigo mesma: “respondo em 3 horas.”
Valide antes de argumentar: “isso doeu de verdade” antes de qualquer “mas acho que não é bem assim”. Não peça pra ela ver o lado bom agora. O momento certo pra lógica é depois, quando o corpo já regulou.
Raiva ou frustração súbita
Seção intitulada “Raiva ou frustração súbita”Sinal: raiva que chega rápido e forte, sem aviso.
- Mude a temperatura do corpo: água fria no rosto ou pulsos.
- Gaste a energia física: 20 polichinelos, ou subir e descer uma escada.
- Se afaste fisicamente da situação até o corpo acalmar.
Dê espaço físico. Não tente resolver ou conversar no calor do momento. Oferecer água fria, sem insistir, ajuda mais do que perguntar “o que aconteceu” agora.
Ambiente com estímulo demais
Seção intitulada “Ambiente com estímulo demais”Sinal: barulho, luz e movimento chegam todos ao mesmo tempo, no talo.
- Se possível, saia do ambiente por alguns minutos.
- Pressão profunda: abrace os próprios braços com força, ou algo pesado no colo.
- Água fria no rosto, respiração lenta e focada.
Pergunte se ela quer sair do ambiente, e aceite um não sem insistir. Uma frase simples ajuda mais que muitas: “quer ir pra um lugar mais calmo?”
Sem energia para quase nada: Protocolo de Baixo Esforço
Seção intitulada “Sem energia para quase nada: Protocolo de Baixo Esforço”Sinal: esgotamento, emocional ou executivo. Hoje não é dia de rotina normal.
Este protocolo é combinado com antecedência, num dia bom. No dia ruim não sobra energia para decidir. Se está lendo isto agora, o combinado é:
- Água, ou o remédio, se for o caso.
- Comer algo, mesmo que pronto.
- Só a tarefa mais importante do dia, nenhuma outra.
- Todo o resto fica perdoado.
Cumprir esses passos é dia bem-sucedido. Não é o mínimo, é a meta.
Não adicione tarefa, e não cobre o resto do dia. Se puder, ajude a cumprir um dos itens (preparar a comida, por exemplo) sem tomar conta da decisão dela sobre qual é o item mais importante.
Mecanismo completo de cada cartão, com embasamento clínico e literatura, em Protocolos de Crise e Emocional.